Em minha caminhada matinal recordei os anos de chumbo da ditadura militar - período em que o governo contratou pessoas que estavam envolvidas no cotidiano da sociedade para delatar os opositores do Estado – quando me deparei com um dos carros do sistema de mapeamento fotográfico do Google Street View, a priori pensei que fosse um automóvel mutante com vários olhos, mas logo percebi que se tratava de nove câmeras fotográficas acopladas no teto do veículo.
Diante do objeto móvel quase não identificado, imaginei questões corriqueiras que serão expostas na internet por meio das fotos: bêbados caídos na calçada, prostitutas com as vergonhas ao léu, rapazes coçando o sexo e homens na entrada de cinemas pornográficos. As situações descritas seriam vistas apenas pelos pedestres que trafegassem pela via do fato, mas com o serviço de mapas do Google, elas serão espalhadas para todos os usuários de computadores com acesso a internet.
Além da máquina extra planetária invadir a nossa privacidade, ela será usada para outro tipo de invasão: a de nossas casas. O Google Street View facilitará ainda mais o serviço de ladrões porque os fará planejarem os furtos sem saírem de suas casas – considero isso a confirmação de que a tecnologia veio ajudar a todos, independentemente da profissão exercida.
Mediante a tecnologia invasora apresentada, colocarei chumbo em minhas paredes antes que o Google lance uma câmera com raio-X e fotografe ainda mais minha privacidade, chegando ao ponto de invadir minha intimidade.


0 comentários:
Postar um comentário